terça-feira, 4 de julho de 2017

Alberto Caeiro

Alberto Caeiro

Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, em 16 Abril de 1889, e na mesma cidade faleceu, de tuberculose, em 1915.
Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
Segundo o seu criador "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó."
Pessoa criou uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia. Caeiro escrevia com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista.
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão ("pensar é estar doente dos olhos"). Proclama-se assim um anti-metafísico. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objectividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
Dos principais heterónimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Possuía uma linguagem estética directa, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada.
Fernando Pessoa formulou 3 princípios do sensacionismo:
. Todo objecto é uma sensação nossa;
. Toda a arte é a convenção de uma sensação em objecto;
. Portanto, toda arte é a convenção de uma sensação numa outra sensação.
E Caeiro foi o heterónimo que melhor interpretou esta tese, pois só lhe interessava vivenciar o mundo que captava pelas sensações, recusando o pensamento metafísico.
Alberto Caeiro duvida da existência de uma alma no ser humano, quando diz "Creio mais no meu corpo do que na minha alma..."
Caeiro é um poeta materialista, visto que crê que o mundo exterior é mais certo do que o mundo interior.
Simples, Caeiro parte do zero, quando regressa a um primitivismo do conhecimento da natureza. Mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a eles ensinou a filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender. Compôs uma poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva, e prosaica, por extirpar do texto, ao máximo, a conotação tradicional. Considerando o mais contraditório dos heterónimos, atinge o poético pelo apoético, ou seja, conota quando denota, já que usa o inusitado.
Este heterónimo pessoano, diante da possibilidade de se infelicitar com o sol, os prados e as flores que contentam com sua grandeza, procura minimizá-los, comparando-os com eles próprios. Nessa redução do mundo, fica mais latente o "nada". Daí ser ele o heterónimo que nada quer. Mesmo assim, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada, é que mais intelectualiza entre as personalidades pessoanas, parece usar o raciocínio sem querer demonstrar isso. Daí ser o mais infeliz, por restringir o mundo, além de fugir do progresso e a ele renunciar.
Caeiro faz uma poesia da natureza, uma poesia dos sentidos, das sensações puras e simples. Foi por isso que procurou, na serra, sentir as coisas simples da vida com maior intensidade.
Sendo o mais intelectualizado entre as personalidades pessoanas, Caeiro foi o que menos se preocupou com o trabalho formal do poema. Daí o comentário crítico do seu discípulo Ricardo Reis:
"Falta nos poemas de Caeiro aquilo que deveria completá-los a disciplina exterior. Não subordinou a expressão a uma disciplina comparável àquela a que subordinou, quase sempre, a emoção e sempre, a ideia."
Como afirma Reis, Caeiro, sem muitas preocupações formais, foi o filósofo das personalidades pessoanas. Mesmo o tempo todo não querendo nada e trabalhando o lado mais simples da linguagem, a denotação, conseguiu, de maneira surpreendente, elaborar um inusitado monumento poético.
A sua obra está agrupada na colectânea Poemas Completos de Alberto Caeiro.
A recusa do pensamento e da introspecção

Alberto Caeiro é o “Mestre” dos outros heterónimos Pessoanos.
Homem espontâneo, ingénuo, inculto (em relação à instrução escolar) e simplista.
Foi um poeta ligado à Natureza, que apenas valorizava a aquisição do conhecimento através das sensações, não intelectualizadas, sendo assim o único que consegue a paz, a estabilidade e a felicidade. Deseja diluir-se nela, integrando-se nas leis da Natureza, como se fosse um rio ou uma árvore.
Despreza e reaprende qualquer tipo de pensamento filosófico (“Eu não tenho filosofias, tenho sentidos”), a introspecção e proclama-se como um anti-metafísico.
Afirma que pensar obstrui a visão (“Pensar é estar doente dos olhos”, “Pensar incomoda como andar à chuva”).
Apresenta-se como um simples “Guardador de rebanhos” que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade (VER = SENTIR = NÃO PENSAR). É um poeta de complexa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade.
Dos principais heterónimos Pessoanos, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Para si a poesia é uma atitude involuntária, espontânea, pois vive no presente, não querendo saber dos outros tempos. Vive de sensações predominantemente visuais (“tal como a arvore da frutos, o homem cria versos”).
Possuía uma linguagem estética directa, concreta, simples e um vocabulário limitado de um poeta camponês, mas ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. Intelectualizava as emoções (pensava) mesmo quando afirmava não as intelectualizar.
O seu ideário resume-se no verso “Há metafísica bastante em não pensar em nada”.

Autores: Sara Marques
Escola: [Escola não identificada]
Data de Publicação: 19/09/2011

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